COMUNICAÇÃO DE INTERAÇÕES SOCIAIS SUSTENTÁVEIS.

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Preâmbulo [conceitualizado como um movimento de introdução/entrada juntando-se a uma conversa*]

*. . há conversas pré-existentes (discursos e diálogos, conexões interpessoais e interculturais) no programa MACS no Goucher College, “O Laboratório de Discursos de Sustentabilidade” da Universidade de Glasgow, a Universidade Federal de Sergipe, Brasil. Esta colaboração foi facilitada em parte pelo “The Center for Folklife and Cultural Heritage” dentro da Smithsonian Institution.

Tentativa/Estratégia proposta: oferecer este preâmbulo aos alunos do MACS como preparação antes do início da conferência. Meta a ser alcançada: traduzi-lo para o português, espanhol, gaélico escocês e ASL (Linguagem Americana de Sinais), para compartilhá-lo com membros dessas comunidades lingüísticas …

Sustentabilidade requer cooperação.

Enquanto cientistas e engenheiros continuam a lutar por respostas tecnológicas, os educadores empresariais em particular estão perfeitamente posicionados para facilitar a “transformação gradual do comportamento cotidiano”1 requerida pelos próximos desafios. Gaia Vince2 explica o desafio central:

A Organização Internacional para as Migrações da ONU citou estimativas de até 1 bilhão de migrantes ambientais nos próximos 30 anos, enquanto projeções mais recentes apontam para 1,2 bilhão até 2050, e 1,4 bilhão até 2060″. Após 2050, espera-se que esse número aumente à medida que o mundo aqueça ainda mais e a população global aumente até seu pico previsto em meados dos anos 2060.

Em outras palavras, o catalisador para recalibrar o futuro é colocar os seres humanos mais marginalizados no centro. Nós temos que projetar camadas de interação que apoiem, abracem e possibilitem o nomadismo. A sustentabilidade para as empresas dependerá do interesse comercial orientando para correntes constantes de grandes fluxos de humanidade em movimento mais como oportunidades do que como passivos. Esses fluxos serão urgentes devido a eventos climáticos imprevisíveis e severos e, potencialmente de acordo com novos ritmos sazonais ditados pelo pico de calor e pelo pico de chuvas. Vince continua:

A questão para a humanidade se torna: como um mundo sustentável se parece? Nós precisaremos desenvolver uma maneira inteiramente nova de alimentação, abastecimento e manutenção dos nossos estilos de vida, enquanto também reduzimos os níveis de carbono atmosférico. Precisaremos viver em concentrações mais densas em menos cidades, enquanto reduzimos os riscos associados a populações lotadas, incluindo quedas de energia, problemas de saneamento, superaquecimento, poluição e doenças infecciosas.

A mente tem uma gama de respostas para essas questões. Para os Hobbesianos e os Rousseaunianos (de acordo com as caracterizações em “Doughnut Economics”)3, um thriller pendente de Mad Max ou Round 6 é aparentemente interessante. A fragilidade branca (particularmente nos Estados Unidos) é outra resposta relacionada (onde quer que surja, contanto que surja). Por outro lado, há aqueles que estão comprometidos com a ajuda mútua.

No entanto, pelo menos tão desafiadora também será a tarefa de superar a ideia de que pertencemos a uma determinada terra e que ela pertence a nós. Precisaremos nos integrar em sociedades globalmente diversas, vivendo em novas cidades polares. Precisaremos estar prontos para nos movermos novamente quando necessário. Com cada grau de aumento de temperatura, cerca de 1 bilhão de pessoas serão empurradas para fora da zona em que os seres humanos vivem há milhares de anos. Estamos ficando sem tempo para lidar com a próxima crise antes que ela se torne avassaladora e mortal.

Esses pontos me tiram a complacência. Se você não está ciente do efeito que esta previsão científica tem sobre você (que você pode sentir, identificar, nomear e explicar), é provavelmente um indicador para exercer a auto-reflexão. Virginia Heffernan recentemente escreveu “Jolted Awak”e após ler “The Dawn of Everything” e entrevistar o co-autor sobrevivente, David Wengrow. “The Dawn” minuciosamente detalha a verdade crucial suprimida dos registros arqueológicos e antropológicos combinados. A pesquisa criteriosa expõe a mentira do homo economicus de início de carreira, tangencial, e descaradamente tendencioso. Colocar seus conhecimentos históricos ao lado de “Stamped From the Beginning” (2016) e “How To Be An Antiracist” (2019), do autor Ibram X. Kendi’s, estabelece uma lente muito apertada sobre a brutalidade e violência intencionalmente projetada e implementada por um minúsculo subconjunto da população humana contra todos os outros – tanto humanos quanto não humanos. Simultaneamente, a sobrevivência cultural e os movimentos de libertação em todos os lugares demonstram persistentemente a resiliência humana e a criatividade diante de práticas idiotas de pretensa superioridade. Um ressurgimento indígena pela Ilha da Tartaruga (América do Norte)4 está se reconectando um ao outro e à terra-mãe (e alcançando os continentes também).

A migração não é o problema; ela é a solução.

Vince sugere uma virada de mentalidade repleta de possibilidades de refazer o mundo concebido pelo homem sobre este planeta biológico vivo e extraordinariamente complexo de incontáveis fluxos interligados e complexos (e.g., “Braiding Sweetgrass: Indigenous Wisdom, Scientific Knowledge, and the Teachings of Plants” (2013) de Robin Wall Kimmerer).

Um capítulo foi proposto a um livro didático de educação empresarial sobre “Ensino da Sustentabilidade Social” procurando incluir os resultados da conferência multilinguística (2022) sobre Comunicação da Sustentabilidade organizada através de uma parceria (tangencialmente relacionada) com a Smithsonian Institution e sediada simultaneamente em três locais ao redor do mundo: Goucher College (EUA), Universidade Federal de Sergipe (Brasil), e Universidade de Glasgow (Escócia). Os idiomas da conferência são português, inglês e linguagem americana de sinais (ASL).5 Nós propomos tratar as diferenças linguísticas em paralelo com a mudança migratória: afastar os idiomas (no plural, juntamente com suas diferenças) de serem tratados como “um problema” para nutrir o plurilinguismo como parte integrante da solução. A literatura empresarial internacional que trata das diferenças linguísticas já documentou que “o inglês por si só não é capaz de capturar todo o conhecimento possível e existente de forma objetiva e sem problemas” (Tietze, Back, & Piekkari, 2021, p. 377).

A comunicação de alta qualidade dentro e entre comunidades linguísticas, dentro e entre todas as esferas, requer atenção específica para as características interativas da comunicação. A primeira conferência (2020) do programa MACS6 do Goucher College, “20/20 Visions”, foi um esforço solo que explorou a “Sustentabilidade Cultural como um Ato de Resiliência”. Esta segunda conferência cresceu para ser uma parceria internacional e multilinguística com a Universidade Federal de Sergipe com o tema “Iniciativas Institucionais para a Sustentabilidade”, e “O Laboratório de Discursos de Sustentabilidade” da Universidade de Glasgow, que convida “grupos comunitários, educadores, políticos, pesquisadores, profissionais e todos aqueles com interesse em questões de sustentabilidade a desenvolverem formas de trabalho conjunto para avançar”. O foco brasileiro aparenta estar numa “matriz de sustentabilidade” auto-avaliável que pode contribuir para a compreensão conceitual da sustentabilidade.7 Segundo a organizadora do Goucher College, Amy Skillman, este “primeiro encontro internacional…[foi] concebido… para ser o início de uma série de conversas contínuas. Esperamos que os detalhes de para onde vamos a partir daqui saiam do próprio encontro” (correspondência pessoal, 26 de agosto de 2022).

Uma mesa redonda sobre sistemas sócio-técnicos durante esta conferência convidará os participantes a praticar habilidades de comunicação colaborativa distintas para “a geração da virada” (Raworth, 2017, p. 50). Oferecemos a mesa redonda envolvendo dois surdos e três participantes ouvintes utilizando a interação interpretada (linguagem americana de sinais e inglês) como modelo para desenvolver a consciência do viés homolinguístico, da tendência em preferir a comunicação com outros na “mesma” linguagem.

[ traduzido por Steven Sant’Ana ]